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7 de Setembro em Brasília volta a chamar atenção pelo baixo movimento de público

7 de Setembro em Brasília volta a chamar atenção pelo baixo movimento de público

Mesmo com mobilização do governo para ampliar a participação, imagens da Esplanada mostram grandes áreas com pouca concentração de público durante o desfile da Independência

O desfile de 7 de Setembro realizado nesta segunda-feira (7), em Brasília, teve a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos principais nomes dos Três Poderes. Mas, além da cerimônia oficial, um outro aspecto voltou a chamar atenção: a dificuldade de reunir uma grande quantidade de público em torno do evento.

A Esplanada dos Ministérios recebeu o tradicional desfile cívico-militar, com participação das Forças Armadas, estudantes e representantes de instituições civis. Lula acompanhou a cerimônia na tribuna de autoridades, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin, dos presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, e do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin.

Entretanto, as imagens registradas ao longo da Esplanada revelaram grandes trechos com pouca movimentação popular, especialmente quando comparados à dimensão da estrutura montada para a celebração.

A situação chama ainda mais atenção porque, segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o próprio Palácio do Planalto havia trabalhado nos dias anteriores para mobilizar movimentos sociais e militantes e aumentar a presença no desfile, em uma tentativa de demonstrar apoio popular ao presidente.

Uma tentativa de levar mais gente às ruas

A mobilização ocorreu em um contexto político particularmente sensível.

Em 2026, Lula disputa novamente espaço político em um cenário eleitoral marcado por forte polarização. Enquanto o presidente participava do desfile oficial em Brasília, grupos de oposição organizaram manifestações em São Paulo, entre elas um ato na Avenida Paulista.

Por isso, a presença de público no 7 de Setembro ganhou um significado que vai além da simples comemoração da Independência.

Para o governo, uma grande participação popular seria também uma demonstração de força política.

O problema é que as imagens da Esplanada não produziram exatamente essa impressão em todos os pontos.

Não é a primeira vez

A dificuldade de reunir grandes multidões no desfile de Brasília durante o atual governo não começou em 2026.

Em 2023, primeiro 7 de Setembro do terceiro mandato de Lula, o desfile reuniu aproximadamente 25 mil pessoas, segundo estimativa do Poder360. O público ficou concentrado principalmente nas arquibancadas instaladas para o evento, enquanto outros trechos permaneceram com pouca movimentação.

Em 2024, a estimativa foi ainda menor: aproximadamente 20 mil espectadores, segundo o mesmo veículo.

A comparação com 2022 chama atenção.

Naquele ano, durante o governo Jair Bolsonaro, a estimativa divulgada pelo Poder360 apontou mais de 100 mil pessoas na Esplanada durante as comemorações da Independência.

É importante fazer uma ressalva: os números não significam que a diferença seja exclusivamente resultado da popularidade de cada presidente. A organização, o contexto político, as restrições de segurança e o formato dos eventos também influenciam diretamente a presença do público.

Além disso, imagens de trechos vazios da Esplanada podem ser enganosas quando apresentadas isoladamente, já que determinadas áreas próximas aos prédios dos Três Poderes têm acesso restrito. Checagens da AFP e da Reuters já demonstraram esse problema em vídeos de anos anteriores.

Mas a imagem deste ano voltou a levantar a questão

Em 2026, entretanto, existe um elemento adicional.

O governo não apenas realizou o desfile. Houve uma tentativa explícita de aumentar a presença popular.

Ainda assim, a percepção visual em determinados pontos da Esplanada foi de baixa concentração.

É justamente essa contradição que chama atenção:

um governo que precisa mobilizar sua base para aumentar o público de uma cerimônia nacional e, mesmo assim, não consegue transformar a Esplanada em uma grande concentração popular.

A Agência Brasil registrou que o público começou a chegar antes das 6h30 e informou que as arquibancadas cobertas estavam cheias minutos antes do início do desfile.

Portanto, não seria correto dizer que “ninguém foi” ou que o evento estava completamente vazio.

Mas também seria equivocado ignorar as imagens de áreas pouco ocupadas.

A realidade parece estar justamente entre esses dois extremos.

Afinal, onde está o povo?

Essa é a pergunta que o 7 de Setembro de 2026 deixa para Brasília.

O desfile continua existindo.

As Forças Armadas continuam presentes.

As autoridades continuam comparecendo.

A estrutura continua sendo montada.

Mas a capacidade de transformar a Independência em uma grande celebração popular parece ter diminuído em comparação com momentos anteriores.

E isso não diz respeito apenas a Lula.

Diz respeito à própria relação dos brasileiros com as celebrações cívicas.

O 7 de Setembro foi, durante muito tempo, uma data capaz de colocar famílias inteiras nas ruas.

Hoje, a participação parece cada vez mais dependente de mobilização organizada, estruturas específicas e circunstâncias políticas.

A presença de Lula não foi suficiente

Lula esteve lá.

Sua presença era conhecida antecipadamente.

O governo mobilizou sua base.

As autoridades dos três Poderes compareceram.

Mesmo assim, a imagem que acabou chamando atenção em vários momentos foi a dos espaços vazios ou pouco ocupados ao redor do desfile.

E esse talvez seja o ponto mais simbólico da cerimônia deste ano.

Não é necessário afirmar que o presidente “não tem povo”.

Também não é possível atribuir toda ausência de público à rejeição ao governo.

Mas existe uma pergunta legítima:

Se o presidente da República está presente, se o governo mobiliza sua base e se o evento representa uma das principais datas nacionais, por que ainda é tão difícil levar uma multidão às ruas de Brasília?

Essa é uma pergunta que as imagens do 7 de Setembro de 2026 colocam novamente no centro do debate.
E talvez o problema seja maior do que Lula: talvez o Brasil esteja simplesmente perdendo o hábito de comemorar o próprio Brasil.

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