Economia de Goiás busca novo ritmo de crescimento em 2026
Indústria, serviços, renda e investimentos ajudam a sustentar atividade, mas menor contribuição do agronegócio e juros altos impõem limites
GOIÂNIA — A economia de Goiás chega ao segundo semestre de 2026 com uma combinação de crescimento em setores importantes e perda de força em relação ao desempenho excepcional do ano passado. Dados do Instituto Mauro Borges (IMB) mostram avanço da indústria e dos serviços, enquanto a agropecuária passou a contribuir menos para o resultado estadual. O instituto projeta crescimento de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) de Goiás neste ano.
O cenário coloca Goiás diante de uma mudança importante. O Estado continua dependente do agronegócio, mas outros setores passaram a exercer papel maior na atividade econômica. Indústria, comércio, serviços, investimentos e mercado de trabalho ajudam a reduzir o impacto de uma safra menor sobre o resultado geral.
Para o economista Fabrício Ribeiro, essa mudança merece atenção porque mostra que a economia goiana precisa ampliar suas fontes de crescimento. A avaliação ganha relevância em um momento em que o Estado tenta transformar o avanço de setores específicos em uma expansão mais regular da atividade.
Fabrício Ribeiro foi recentemente reconhecido pelo Conselho Regional de Economia de Goiás (CORECON-GO) na homenagem “Economista Destaque 2026”, concedida a profissionais indicados pelos próprios economistas registrados no conselho. A iniciativa reuniu 16 homenageados neste ano.
Indústria ganha importância
Os dados mais recentes do IMB mostram que a indústria vem ocupando espaço importante na economia estadual. Em junho, o setor cresceu 4,2% em relação ao mesmo mês de 2025.
A indústria extrativa avançou 5,5%. A indústria de transformação teve alta de 5,2%. O resultado ajudou a compensar parte da menor contribuição da agropecuária.
O movimento também aparece nos investimentos anunciados em Goiás. No primeiro trimestre de 2026, foram anunciados R$ 10 bilhões em novos investimentos no Estado. A indústria respondeu por R$ 8,6 bilhões desse total.
Anápolis concentrou R$ 5 bilhões dos investimentos anunciados no período. Os números mostram a importância da industrialização para a estratégia de diversificação da economia goiana.
A expansão industrial, porém, depende das condições nacionais. Juros elevados encarecem o crédito e dificultam investimentos de empresas. A questão ganha peso em setores que precisam de financiamento para ampliar produção e capacidade.
Comércio acompanha renda
O mercado de trabalho é outro fator que ajuda a sustentar a economia. O desempenho da renda influencia diretamente o comércio e os serviços, que dependem do consumo das famílias.
No primeiro trimestre de 2026, a taxa de desocupação em Goiás ficou em 5,1%, segundo o IMB. O rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.878.
O resultado indica uma condição favorável do mercado de trabalho em comparação com períodos anteriores. A combinação de emprego e renda dá sustentação ao consumo e ajuda a explicar a resistência do comércio.
O desafio é manter esse movimento em um ambiente de crédito mais caro. Quando os juros permanecem elevados, famílias tendem a reduzir compras financiadas e empresas adiam parte dos investimentos.
Agronegócio ainda é decisivo
A agropecuária continua sendo uma das principais forças da economia de Goiás. O setor, porém, enfrenta uma comparação difícil em 2026.
Em 2025, uma safra recorde de grãos deu forte impulso à economia estadual. O resultado elevou a base de comparação e tornou mais difícil repetir o mesmo ritmo neste ano.
O IMB revisou para baixo a previsão de crescimento do PIB goiano justamente em razão da menor contribuição esperada da agropecuária. A projeção passou de 2,3% para 2%.
Isso não significa que o agronegócio tenha perdido importância. A questão é outra. Com uma produção menor que a do ciclo anterior, o campo tende a contribuir menos para o crescimento do Estado.
Para Goiás, a diferença é relevante. O desempenho da agricultura influencia a indústria de alimentos, o transporte, o comércio, os serviços e a arrecadação.
Diversificação passa a ser desafio
A mudança no ritmo do agronegócio reforça uma discussão antiga sobre a economia estadual: como crescer sem depender tanto do desempenho de uma única atividade.
Os números recentes indicam que a indústria já exerce papel maior nesse processo. O mercado de trabalho também apresenta condições favoráveis. O comércio mantém atividade e os investimentos industriais ampliam a capacidade produtiva.
Esse processo pode mudar a composição do crescimento goiano nos próximos anos. Quanto maior a participação de setores diferentes, menor tende a ser o impacto de uma queda isolada na produção agrícola.
A diversificação, contudo, não acontece apenas com a chegada de novas empresas. Ela depende de infraestrutura, mão de obra qualificada, crédito, logística e capacidade de agregar valor à produção.
É nesse ponto que a análise dos economistas ganha espaço no debate sobre o futuro de Goiás.
O que esperar para o restante do ano
O cenário para os próximos meses combina oportunidades e riscos. A indústria e o mercado de trabalho podem continuar sustentando a atividade, mas juros elevados e menor contribuição do campo limitam uma expansão mais forte.
O ambiente externo também merece atenção. Goiás tem forte participação de produtos agrícolas, carnes e minérios nas exportações. Mudanças nos preços internacionais podem afetar produtores e empresas instaladas no Estado.
A economia goiana chega, portanto, a uma fase diferente da observada em 2025. O crescimento continua possível, mas depende menos de um único motor e mais da capacidade de diferentes setores manterem a atividade.
Para Fabrício Ribeiro, a discussão sobre o futuro econômico de Goiás passa justamente por essa transição: ampliar a participação de atividades capazes de gerar renda, investimentos e empregos sem reduzir a importância do agronegócio.
A questão central para o Estado deixou de ser apenas crescer. É sustentar o crescimento quando o campo não entrega o mesmo impulso de um ano excepcional.



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